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terça-feira, 8 de abril de 2014

RESUMO GRAMÁTICA -  RELAÇÕES MORFOSSINTÁTICAS
Classes de palavras
Significado
Características morfológicas
Características sintáticas
Substantivos
Nomeiam principalmente
 seres, coisas e ideias.
 Ex.: homem    (um ser); 
pedra (uma coisa);
 felicidade       (uma ideia
ou sentimento).
São geralmente variáveis; suas variações expressam as ideias de gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Ex.: moço
 masculino singular) /moça (feminino singular); moços 
(masculino plural)/moças
(feminino plural).
Ocupam o núcleo de unidades nominais, como o sujeito , o objeto direto, o objeto indireto, o predicativo ou o agente da passiva. Ex.
[O balconista] informou [as horas] [à cliente.]
   Sujeito         obj.direto    obj.indireto
[O meu irmão] mais velho é [professor.]
    Sujeito             predicativo   
[O samba] foi muito bem interpretado [pelo jovem
  Sujeito                      agente da
cantor.]
passiva
Adjetivos
Nomeiam principalmente qualidades, características ou estados. Ex.:música 
agradável (nomeação de uma qualidade);
Fio metálico
 (nomeação de uma característica); pães quentes 
(nomeação de estado). 

São geralmente variáveis; suas variações expressam as ideias de gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Ex.: caderno novo 
(masc. singular)/cadernos novos (masc. plural)/ caneta nova (fem. sing.)/ canetas novas (fem. plural).
Na maioria dos casos, ligam-se a substantivos, modificando o seu significado (adjunto adnominal). Porém, podem, também, ter a função de predicativo. Ex.:
[O jovem balconista] informou [as horas exatas] [à cliente apressada.]  (adjuntos adnominais)
A pintura da casa ficou [bonita.]


Verbos



























Advérbios







Nomeiam principalmente ações, processos e fenômenos da natureza. Ex.: A água molhou 
as minhas compras. (nomeação de um processo)
Protegi-me da chuva forte. (nomeação de uma ação)
Choveu muito. (nomeação de um fenômeno da natureza)













 Nomeiam circunstâncias.
Ex.: Chegamos 
tarde (circus-tância de tempo)
Estávamos
 muito cansa-dos. (circunstância de intensidade)
Passeamos
 calmamente 
por toda a cidade. (circunstância de modo e lugar) 
São variáveis; suas variações expressam as ideias de pessoa, número, tempo e modo.
Ex.: Se eles gostassem de chocolate, eu faria esta torta para a sobremesa.
Gostassem: verbo gostar; 3ª pessoa; número plural; tempo pretérito imperfeito; modo subjuntivo.
Faria: verbo fazer;1ª pessoa; número singular; tempo futuro do pretérito; modo indicativo.















São invariáveis.
Ocupam o núcleo do predicado verbal; são a base da oração.
Ex.: [Toda a família] [vai ao casamento.]
      sujeito        predicado
Em frases com verbo de ligação, como:
 [Nós]  [estamos atrasados para a festa.]
Sujeito          predicado
o predicado é nominal, porque o núcleo do seu significado é um nome: o adjetivo atrasados.   







  




Ligam-se a verbos, adjetivos e substantivos, modificando o seu significado .(adjuntos adverbiais)
Ex.:  Estudei  ontem   para a prova de biologia.
        adj. adv. tempo       adj. adv. Finalidade
    Estava meio aborrecida.
        Adj. adv. Intensidade
     Nós moramos aqui.
              Adj. adv. lugar
                           
Artigos
Indicam se o significado dos substantivos aos quais se ligam é específico ou genérico – o artigo definido é usado para marcar um significado específico (determinado); o indefinido é usado para marcar um significado genérico (indeterminado). Ex.:
O rapaz da padaria esteve aqui. (artigo definido)
Um rapaz esteve aqui. (artigo indefinido)
São variáveis; suas variações expressam as ideias de gênero(masc. ou fem.) e número (sing. ou plural).
Ex. o rapaz/ os rapazes/um rapaz/uns rapazes/ a moça/ as moças/ uma moça/ umas moças
Ligam-se a substantivos  especificando ou indeterminando o seu significado. (adjuntos adnominais)
Ex.: [Um rapaz] esteve aqui. (adjunto adnominal)
Interjeições














Exprimem sentimentos e emoções de quem fala ou escreve.Ex.: 
Droga! Deu tudo errado!
(expressão de aborrecimento)
Nossa, como essa menina cresceu! (expressão de espanto)


São invariáveis.


Têm o valor de frases isoladas (sem função sintática dentro da oração), que exprimem sentimentos e emoções.











Numerais

Nomeiam quantidades (inteiras, fracionárias ou multiplicativas) e indicam a posição de elementos em uma série. Ex.:
Já li dois livros neste mês. (nomeação de uma quantidade inteira)
Fiz dois terços do trabalho. (nomeação de quantidade fracionária)
Ele é o décimo da fila. (indicação da posição em uma série)

Há dois grupos: um de numerais variáveis e um de numerais invariáveis.
Ex.: Essas duas senhoras moram aqui. (numeral variável)
O filme começa às dez horas. (numeral invariável)

Podem ocupar o núcleo do sujeito, do objeto direto, do objeto indireto, do predicativo ou do agente da passiva (função substantiva) ou ligar-se a um substantivo, modificando o seu significado (função adjetiva – adjunto adnominal).
Ex.:Elas eram sempre [as primeiras a chegar]. (f. subst.)
                Predicativo do sujeito  

[A primeira coisa que fiz] foi limpar aquela bagunça.
  Adjunto adnominal
(f..adjetiva)
Pronomes

































  


Preposições
a)Indicam as pessoas participantes de uma situação comunicativa (quem fala – 1ª pessoa; com quem fala – 2ª pessoa; de quem se fala – 3ª pessoa);
b)Indicam uma pessoa ou coisa indefinida, desconhecida ou já mencionada;
c) situam as pessoas e coisas no tempo e no espaço e estabelecem relações entre elas e outros elementos. Ex.:
Eu te disse que sairíamos. (indicação da 1ª e 2ª p.)/
Tudo estava preparado para a apresentação. (indicação de coisas indefinidas)/
Quem está aí? (indicação de pessoa desconhecida)    











Em geral são consideradas palavras vazias de significado, sendo definidas apenas a partir da sua função de ligar palavras. Ex.:
Gosto de 
frutas. (palavra vazia de significado) 
Concordo com você. (palavra vazia de significado)
Há dois grupos: um de pronomes variáveis e outro de pronomes invariáveis. Ex.: Eles a convidaram para sair. (pron. variável)/
Alguém esteve na biblioteca. (pron. invariável)



























  


São invariáveis.
Podem ocupar o núcleo do sujeito, do objeto direto, do objeto indireto, do predicativo ou do agente da passiva (função substantiva) ou ligar-se a um substantivo, modificando o seu significado (função adjetiva – adjunto adnominal)
Ex.: Eu   o   vi ontem à noite. (função substantiva)
  Sujeito   objeto direto






















  

Ligam palavras dentro do limite da oração, relacionando-as sintaticamente. Ex.:
Essa porta de madeira é resistente. (função adjetiva)
Lutamos contra a discriminação. (função adverbial)         
Conjunções
Em geral são consideradas palavras vazias de significado, sendo definidas apenas a partir da sua função de ligar palavras. Ex.:
Pedro e Paulo saíram apressados. (palavra vazia de significado)
Disse que me ajudaria. (palavra vazia de significado)
Entretanto, em certos casos pode-se perceber seu significado. Ex.: 
Estou cansado, entretanto não consigo dormir. (ideia de oposição de informações)
Está ficando tarde, portanto devemos sair logo. (ideia de conclusão) 
São invariáveis.
Ligam palavras ou locuções dentro de uma mesma oração, ou orações entre si. Ex.:
Preciso de pratos e talheres novos. (ligação de palavras)
Ganhamos o jogo, mas o campeonato não acabou. (ligação de orações)
Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa


FICHAMENTO, RESUMO E RESENHA



Fichamento: aprendendo a selecionar
Ao ler esta aula, talvez você esteja sublinhando trechos que julga importantes, ou destacando-os com uma caneta marca-texto. Isso o ajuda a reter as informações centrais do que lê, além de facilitar futuras consultas ao material, em busca deste ou daquele dado importante. Há quem, além disso, utilize marcadores coloridos de página ou clipes para acelerar ainda mais eventuais retornos a pontos específicos do texto.
Essa atividade de marcar na própria superfície do texto original o que se considera mais relevante pode ser chamada de fichar. Além dela, porém, há a prática de transcrever para uma folha à parte os trechos mais importantes de determinada obra, procedimento comum quando se trata de livros emprestados por amigos ou bibliotecas, nos quais não se podem deixar marcas. O conjunto físico dessas transcrições também pode ser chamado de fichamento.
De qualquer maneira, um fichamento consiste no registro das passagens selecionadas de um texto, em que se expressam ideias e se apresentam fatos relevantes para comprovar uma tese ou defender um ponto de vista do autor. Para tanto, a atividade de fichar supõe leitura e releitura do texto-fonte, com atenção para a forma e para o conteúdo do mesmo.
Nesse sentido, o mais importante na produção de um fichamento é a identificação das ideias centrais do texto-fonte. Vale ressaltar, porém, que diferentes pessoas podem acrescentar/suprimir esta ou aquela passagem ao grupo de trechos destacados como principais no texto original. Isso vai depender do conhecimento que o leitor tem sobre o assunto, bem como da finalidade a que se destina seu fichamento. Além disso, o próprio interesse do leitor é um relevante fator de variação: em vez de uma apreensão geral do texto, ele poderia estar em busca de informações ou argumentos mais específicos, e nesse caso seria legítimo concentrar os esforços de fichamento em encontrar o que está sendo procurado.
Para você ver, na prática, como se faz isso, vamos ler alguns fragmentos de um ensaio, atentando para suas ideias centrais. Trata-se de parte do texto “Erros e mentiras”, do biólogo Stephen Jay Gould, publicado na Revista de Educação Pública do CECIERJ, em que as supressões são sinalizadas por (...).
Primeiro, faça uma leitura inicial, para se familiarizar com o conteúdo e a linguagem do ensaio. Depois, leia o texto novamente, agora sublinhando as passagens que você julga mais importantes para sua compreensão.
Texto I
Erros e mentiras
Stephen Jay Gould

Fiorello La Guardia pode estar destinado a entrar para a história basicamente como o padrinho de um aeroporto. Mas foi um grande prefeito de Nova York nos anos duros da Depressão e da Segunda Guerra. (...) Também possuía em abundância a característica que apreciamos muito, mas raras vezes encontramos em pessoas que assumem uma posição de destaque - a disposição de admitir seus erros ocasionais e inevitáveis. Em sua tirada mais famosa, La Guardia disse certa vez: "Quando eu erro, erro bem!”. (...)
Nenhuma das grandes obras da ciência jamais foi isenta de erro, e qualquer obra mais extensa ou revolucionária contém necessariamente alguns dos "erros bons" de La Guardia. O progresso intelectual é uma rede complexa de fintas, maus começos e experiências de tentativa e erro. A Origem das espécies, de Darwin, por exemplo, apresenta inúmeros erros salpicando sua massa oceânica de validade reformadora.
Os erros são tão frequentes, e tão variados, que podemos até tentar dividi-los em categorias.
Primeiro, Darwin comete vários erros factuais. Aqui, vou deixar de lado os erros entediantes e cotidianos cometidos no registro de informações, concentrando-me nos erros muito mais interessantes baseados em previsões feitas a partir de premissas teóricas que se revelaram falsas ou exageradas. O apego de Darwin ao gradualismo, por exemplo, levou-o a fazer duas conjeturas portentosas e extraordinariamente erradas: 1) afirmou que já se tinham passado mais de 300 milhões de anos desde o "desnudamento do Weald" (a erosão da região, com cerca de sessenta quilômetros de largura, situada entre Chalk Downs do norte e do sul, no sul da Inglaterra), baseado em sua convicção de que a erosão geológica se dá aos poucos, grão por grão. Mas a alteração não precisa proceder com tanta lentidão e nem de forma tão contínua, e o tempo transcorrido foi de um terço a um quinto da generosa avaliação de Darwin. 2) A vida animal multicelular começa abruptamente, do ponto de vista geológico, na explosão do Cambriano, há cerca de 550 milhões de anos. Darwin, que rejeitava a rapidez biológica com mais energia ainda que a variedade geológica, previu que a "explosão" devia ter sido ilusória, e que a história pré-cambriana da vida animal multicelular devia ter pelo menos mais outros 570 milhões de anos de sucesso. Dispomos hoje de um excelente registro da vida pré-cambriana - e nenhum animal multicelular aparece até pouco antes da explosão do Cambriano. Uma segunda categoria podia ser rotulada de erros de julgamento: trata-se, na verdade, de erros de cálculo político. Darwin, que era muito esperto, cometeu poucos erros desta ordem, mas incorreu ocasionalmente neles ao dar rédeas a especulações insensatas num tratado que devia sua força à âncora de sobriedade que o prendia aos fatos, evitando as conjeturas fantasiosas das obras anteriores sobre a evolução. (...)
Uma terceira categoria, que talvez seja a mais reveladora, compreende os erros que a maioria de nós não reconhece porque nós próprios também costumamos cometê-los. Vamos chamá-los de erros da convenção impensada. Incluo aqui a repetição passiva de suposições culturais generalizadas feita de modo tão automático, ou tão profunda e silenciosamente incorporada à estrutura de um argumento, que mal conseguimos detectar sua presença. (...)
Basta lembrar a forma como Darwin trata a evolução dos pulmões dos vertebrados e a relação entre eles e as bexigas natatórias dos peixes teleósteos - um exemplo que Darwin obviamente considerava importante para sua argumentação mais geral, porque repete a história meia dúzia de vezes na Origem. Darwin começa assinalando, corretamente, que os pulmões e as bexigas natatórias são órgãos homólogos - versões diferentes da mesma estrutura básica, assim como as asas dos morcegos e as patas dianteiras dos cavalos têm uma origem comum, indicada pelo arranjo similar dos ossos em partes do corpo que hoje atuam de maneira tão diferente. Mas Darwin extrai uma falsa inferência da homologia. (3) Afirma, com uma confiança que vai aumentando e acaba se transformando em certeza, que os pulmões se desenvolveram a partir das bexigas natatórias:
Todos os fisiologistas afirmam que a bexiga natatória é homóloga [...], em posição e estrutura, aos pulmões dos animais vertebrados superiores; portanto, não me parece haver muita dificuldade em acreditar que a seleção natural tenha de fato convertido uma bexiga natatória num pulmão, ou órgão usado exclusivamente para a respiração. Na verdade, não duvido que todos os animais vertebrados dotados de verdadeiros pulmões sejam descendentes de um antigo protótipo, do qual nada sabemos, dotado de um aparelho de flutuação ou bexiga natatória.
(...)


O primeiro procedimento a ser adotado para fichar tal texto é identificar a tese central defendida pelo autor em sua argumentação. Após uma introdução que situa, por meio de uma notória citação, o tema do ensaio, a tese pode ser destacada, logo no segundo parágrafo:
Nenhuma das grandes obras da ciência jamais foi isenta de erro, e qualquer obra mais extensa ou revolucionária contém necessariamente alguns dos "erros bons" de La Guardia. O progresso intelectual é uma rede complexa de fintas, maus começos e experiências de tentativa e erro.
A seguir, é digno de fichamento o trecho que define o exemplo utilizado pelo autor, ao longo de todo o texto, para sustentar seu posicionamento acerca da importância do erro:
A Origem das espécies, de Darwin, por exemplo, apresenta inúmeros erros salpicando sua massa oceânica de validade reformadora.
Tal exemplo, no entanto, desdobra-se em três outros tópicos, com ainda mais subdivisões, cujas passagens fichadas apresentamos a seguir:
·            os erros factuais (exemplificados pelas considerações acerca do desnudamento do Weald e do início da vida multicelular)
Primeiro, Darwin comete vários erros factuais (...) erros muito mais interessantes baseados em previsões feitas a partir de premissas teóricas que se revelaram falsas ou exageradas
  1. afirmou que já se tinham passado mais de 300 milhões de anos desde o ‘desnudamento do Weald’”(...), baseado em sua convicção de que a erosão geológica se dá aos poucos, grão por grão. Mas a alteração não precisa proceder com tanta lentidão e nem de forma tão contínua, e o tempo transcorrido foi de um terço a um quinto da generosa avaliação de Darwin.
  2. (...) A vida animal multicelular começa abruptamente, do ponto de vista geológico, na explosão do Cambriano, há cerca de 550 milhões de anos. [Porém] Darwin(...), previu que a "explosão" devia ter sido ilusória, e que a história pré-cambriana da vida animal multicelular devia ter pelo menos mais outros 570 milhões de anos de sucesso
·       os erros de julgamento
Uma segunda categoria podia ser rotulada de erros de julgamento: trata-se, na verdade, de erros de cálculo político. Darwin, que era muito esperto, cometeu poucos erros desta ordem, mas incorreu ocasionalmente neles ao dar rédeas a especulações insensatas num tratado que devia sua força à âncora de sobriedade que o prendia aos fatos, evitando as conjeturas fantasiosas das obras anteriores sobre a evolução.
·       os erros de convenção impensada (exemplificados pelas considerações acerca dos órgãos homólogos de alguns peixes e mamíferos)
Uma terceira categoria, que talvez seja a mais reveladora, compreende os erros que a maioria de nós não reconhece porque nós próprios também costumamos cometê-los.
Darwin extrai uma falsa inferência da homologia. (3) Afirma, com uma confiança que vai aumentando e acaba se transformando em certeza, que os pulmões se desenvolveram a partir das bexigas natatórias.
Veja que, em nosso fichamento, destacamos a tese do texto e os argumentos que a sustentam. Mas, e você? O que destacou como mais importante? Lembre-se de que, embora haja uma variação possível de respostas, sua seleção de passagens não pode diferir demasiadamente dessa que propomos.
Outra dica importante para identificar os pontos centrais de um texto é atentar para o tópico frasal de cada parágrafo, como vimos na aula 2. Em linhas gerais, pode-se dizer que cada parágrafo de um texto apresenta uma ideia central, que normalmente está entre as mais importantes do texto como um todo.
Ainda no que diz respeito ao texto que acabamos de ler, caso você tivesse de transcrever os trechos destacados para uma folha à parte, seria interessante fazê-lo na forma de tópicos, e não de um texto “corrido”. Isso facilita consultas posteriores ao fichamento. Ademais, caso você esteja sintetizando as ideias de um livro, é importante anotar, ao final de cada transcrição, a página de onde ela foi retirada. Do contrário, torna-se muito lento e pouco prático o processo de localização dessas passagens no original.
Antigamente, era muito comum os professores exigirem dos alunos que fichamentos fossem feitos em folhas de papel especiais, chamadas de fichas. Estas tinham um tamanho especial, próprio para serem arquivadas em compridas gavetas, a fim de organizar a informação e garantir sua preservação. Hoje, porém, com a facilidade ensejada pela informática, torna-se mais comum digitar os fichamentos, que podem ser armazenados e organizados em pastas digitais.
Na prática, dadas as facilidades de copiar e colar, é inclusive mais fácil fichar um texto digitado, o que não impede, contudo, um bom trabalho de fichamento de texto impresso. Todavia, é comum, no curso da leitura, ficharmos mais do que é necessário para a compreensão do texto e só nos darmos conta disso ao final do trabalho. Como o fichamento eletrônico pode ser facilmente editado, acaba ficando mais limpo, ao contrário do que costuma acontecer na cópia em papel.

Agora, vamos pôr em prática o que você acabou de aprender?
Atividade 1
Elabore um fichamento das passagens que considera mais relevantes do texto a seguir, produzido pelo sociólogo Cândido Grzybowski. Porém, primeiro faça uma leitura inicial para se familiarizar com a forma e o conteúdo do texto; só depois da segunda leitura destaque o que julga mais importante.
Texto II
Mudar mentalidades e práticas: um imperativo
Cândido Grzybowski
Sociólogo, diretor do Ibase

A crise climática é a consequência mais evidente, mais imediata e mais ameaçadora do modelo industrial, produtivista e consumista em que se baseia a nossa economia e o modo de vida que levamos. Não se trata de algo conjuntural, mas de esgotamento de um sistema que tem como motor o ter e o acumular, ou seja, um desenvolvimento que tem como pressuposto básico o crescer, crescer mais, sem parar, sem respeitar limites naturais, tudo para concentrar riquezas. Como condição para desenvolver, não importa a destruição ambiental que possa provocar, nem que a geração de riqueza seja, ao mesmo tempo, geração de pobreza, exclusão social, desigualdades de todo tipo. O aquecimento global e a crise do clima são, por isso, expressões de uma inviabilidade intrínseca deste desenvolvimento. Tanto de um ponto de vista ambiental como social, não dá para tornar sustentável tal desenvolvimento.
A crise está aí. Não a vê quem não quer. Não adianta pensar que dá para se safar, que não é com a gente. O clima, como bem comum, tem a virtude de ser cosmopolita, para o bem e para o mal. Só que a mudança climática resultante do tipo de economia que temos, em especial sua base energética, afeta e afetará particularmente os 80% da humanidade que pouco ou nada receberam deste modelo de desenvolvimento.
Estamos diante de uma crise civilizatória, é isto que precisamos reconhecer para poder reagir enquanto ainda é tempo. A lógica do desenvolvimento, gestada com a revolução industrial, tornou-se o motor econômico, político e cultural do mundo nos últimos séculos. Não se trata mais de um embate nos velhos termos – capitalismo x socialismo – no marco da civilização industrial e seus desdobramentos. Estamos diante da crise da própria civilização industrial e de seus modelos de organização econômica e política – a dominante capitalista e a desafiante e subalterna socialista – para a sociedade. São os fundamentos desse tipo de civilização que se esgotaram. Literalmente, derreteram, foram consumidos pelas suas próprias contradições. E ameaçam o planeta inteiro.
Estamos diante de uma urgência e uma radicalidade: aqui e agora, precisamos transformar nossos ideais, modos de pensar e os sistemas políticos, econômicos e técnicos que sustentam o desenvolvimento. A ruptura tem de ser total, de ponta-cabeça. Passar de uma civilização industrial e produtivista para uma biocivilização, comprometida com a vida no planeta, implica verdadeira revolução.
A ruptura é espinhosa. O desenvolvimento está incrustado na gente, é um valor. Desenvolvimento lembra imediatamente progresso. E quem não quer progresso? O problema é que deixamos de discutir a qualidade de vida que nos traz o progresso. Quanto de lixo, poluição e destruição estão associados a este progresso!
Será que para viver bem precisamos sempre de mais? Ter mais e mais bens, trocando sempre porque estragam logo (feitos para não durar) ou pela compulsão, que o ideal nos impõe, de adquirir o último modelo. Isso só gera destruição em todo ciclo, da extração das matérias-primas ao lixão onde jogamos os bens em desuso. Já paramos para pensar quem está ganhando nesta história?
Não há dúvida de que existem enormes necessidades não atendidas. Muita gente tem seus direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais não atendidos. Grupos e povos inteiros estão condenados à exclusão, miséria, fome, pobreza, privações de todo tipo. Mas por quem e como isto é gerado? Quanto mais se desenvolve o mundo na base deste modelo – como agora com a globalização ficou mais evidente ainda –, mais e mais desigualdade se gera no mundo. Apenas 20% da humanidade consome mais de 80% dos recursos naturais e dos bens e serviços produzidos por este sistema. E o pior é que se fosse generalizá-lo para atender a todos os seres humanos, aí faltaria planeta, faltariam recursos naturais! Foi criada a pegada ecológica (foot print), pelos ecologistas, exatamente para avaliar essa apropriação indevida da natureza pelas camadas privilegiadas da população e pelos países mais desenvolvidos. Para viver, na média de um norte-americano, a humanidade precisaria de uns cinco planetas. Por isso, mudar é uma condição sine qua non.
Impõe-se uma grande revolução de mentalidades e de sistema de valores. Precisamos superar a ideologia do progresso e voltar a colocar no centro a justiça social e ambiental com a ideia de bem viver para todas as pessoas. Isto enquanto ainda é tempo, pois se não mudarmos já... amanhã será tarde. Comecemos disputando sentidos e significados do desenvolvimento que nos é dado como salvação. Há uma ditadura de pensamento econômico no debate e nas decisões políticas, como se nada pudesse ser feito sem crescimento econômico como condição prévia. Considerações ambientais e sociais são custos na visão economicista dominante e não bases em que assentam as próprias sociedades. Repolitizar tudo é a palavra. Trata-se de submeter o econômico e o mercado, a ciência e as técnicas, as estratégias de desenvolvimento a uma filosofia de vida que vê os seres humanos como parte intrínseca do meio natural e em íntima interação com todos os seres vivos, em sua biodiversidade, seus territórios.
Estamos diante da necessidade de um novo paradigma ético, analítico e estratégico para iniciarmos aqui e agora a mudança. Precisamos de uma infraestrutura mental, de uma revolução cultural, que reponha tudo no lugar, o lugar da vida, da natureza, das ideias, de nossa enorme capacidade coletiva de criar, de inventar. Ponhamos isto tudo a serviço de um reencontro entre nós mesmos, seres humanos, com a diversidade do que somos e do que sabemos fazer e criar. Mas nosso reencontro, também, precisa ser com o meio ambiente do qual sugamos a vida e do qual somos parte integrante.
Mas o fundamental é estarmos convencidos que outro mundo é possível. A dúvida só retarda a ação efetiva. Pior, permite que sejamos presas fáceis de um falso discurso sobre a necessidade de agredir o meio ambiente para desenvolver, para resolver nossos gritantes problemas sociais. Uma coisa é encarar nossas necessidades inadiáveis, outra é confundir isso com apoio aos grandes conglomerados econômicos e financeiros para que tratem do problema. Isso vai das grandes hidroelétricas ao agrocombustível, do desmatamento para criação de bois e dos grandes desertos verdes para celulose ao apoio às grandes empreiteiras porque criam empregos. Nenhuma ação política de mudança poderá acontecer se nós, cidadãs e cidadãos, não acreditarmos que ela pode, precisa e queremos que aconteça.
Respostas Comentadas
Reproduzimos a seguir o texto da atividade 1, sublinhando os trechos que julgamos dignos de fichamento. Trata-se da ideia central do texto, acerca da relação entre mudança climática e o pretenso progresso, bem como os argumentos que sustentam o posicionamento do autor e sua conclusão acerca do tema. Lembre-se de que esta é uma atividade que admite algumas variações de respostas, de modo que você pode ter julgado esta ou aquela passagem digna ou não de figurar no fichamento. De modo geral, porém, espera-se que sua resposta não difira demasiadamente desta que propomos.

Texto II

Mudar mentalidades e práticas: um imperativo
Cândido Grzybowski
Sociólogo, diretor do Ibase

A crise climática é a consequência mais evidente, mais imediata e mais ameaçadora do modelo industrial, produtivista e consumista em que se baseia a nossa economia e o modo de vida que levamos. Não se trata de algo conjuntural, mas de esgotamento de um sistema que tem como motor o ter e o acumular, ou seja, um desenvolvimento que tem como pressuposto básico o crescer, crescer mais, sem parar, sem respeitar limites naturais, tudo para concentrar riquezas. Como condição para desenvolver, não importa a destruição ambiental que possa provocar, nem que a geração de riqueza seja, ao mesmo tempo, geração de pobreza, exclusão social, desigualdades de todo tipo. O aquecimento global e a crise do clima são, por isso, expressões de uma inviabilidade intrínseca deste desenvolvimento. Tanto de um ponto de vista ambiental como social, não dá para tornar sustentável tal desenvolvimento.
A crise está aí. Não a vê quem não quer. Não adianta pensar que dá para se safar, que não é com a gente.  O clima, como bem comum, tem a virtude de ser cosmopolita, para o bem e para o mal. Só que a mudança climática resultante do tipo de economia que temos, em especial sua base energética, afeta e afetará particularmente os 80% da humanidade que pouco ou nada receberam deste modelo de desenvolvimento.
Estamos diante de uma crise civilizatória, é isto que precisamos reconhecer para poder reagir enquanto ainda é tempo. A lógica do desenvolvimento, gestada com a revolução industrial, tornou-se o motor econômico, político e cultural do mundo nos últimos séculos. Não se trata mais de um embate nos velhos termos – capitalismo x socialismo – no marco da civilização industrial e seus desdobramentos. Estamos diante da crise da própria civilização industrial e de seus modelos de organização econômica e política – a dominante capitalista e a desafiante e subalterna socialista – para a sociedade. São os fundamentos desse tipo de civilização que se esgotaram. Literalmente, derreteram, foram consumidos pelas suas próprias contradições. E ameaçam o planeta inteiro.
Estamos diante de uma urgência e uma radicalidade: aqui e agora, precisamos transformar nossos ideais, modos de pensar e os sistemas políticos, econômicos e técnicos que sustentam o desenvolvimento. A ruptura tem de ser total, de ponta-cabeça. Passar de uma civilização industrial e produtivista para uma biocivilização, comprometida com a vida no planeta, implica verdadeira revolução.
A ruptura é espinhosa. O desenvolvimento está incrustado na gente, é um valor. Desenvolvimento lembra imediatamente progresso. E quem não quer progresso? O problema é que deixamos de discutir a qualidade de vida que nos traz o progresso.  Quanto de lixo, poluição e destruição estão associados a este progresso!
Será que para viver bem precisamos sempre de mais? Ter mais e mais bens, trocando sempre porque estragam logo (feitos para não durar) ou pela compulsão, que o ideal nos impõe, de adquirir o último modelo. Isso só gera destruição em todo ciclo, da extração das matérias-primas ao lixão onde jogamos os bens em desuso. Já paramos para pensar quem está ganhando nesta história?
Não há dúvida de que existem enormes necessidades não atendidas. Muita gente tem seus direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais não atendidos. Grupos e povos inteiros estão condenados à exclusão, miséria, fome, pobreza, privações de todo tipo. Mas por quem e como isto é gerado? Quanto mais se desenvolve o mundo na base deste modelo – como agora com a globalização ficou mais evidente ainda –, mais e mais desigualdade se gera no mundo. Apenas 20% da humanidade consome mais de 80% dos recursos naturais e dos bens e serviços produzidos por este sistema. E o pior é que se fosse generalizá-lo para atender a todos os seres humanos, aí faltaria planeta, faltariam recursos naturais! Foi criada a pegada ecológica (foot print), pelos ecologistas, exatamente para avaliar essa apropriação indevida da natureza pelas camadas privilegiadas da população e pelos países mais desenvolvidos. Para viver, na média de um norte-americano, a humanidade precisaria de uns cinco planetas.  Por isso, mudar é uma condição sine qua non.
Impõe-se uma grande revolução de mentalidades e de sistema de valores. Precisamos superar a ideologia do progresso e voltar a colocar no centro a justiça social e ambiental com a ideia de bem viver para todas as pessoas. Isto enquanto ainda é tempo, pois se não mudarmos já... amanhã será tarde. Comecemos disputando sentidos e significados do desenvolvimento que nos é dado como salvação. Há uma ditadura de pensamento econômico no debate e nas decisões políticas, como se nada pudesse ser feito sem crescimento econômico como condição prévia. Considerações ambientais e sociais são custos na visão economicista dominante e não bases em que assentam as próprias sociedades. Repolitizar tudo é a palavra. Trata-se de submeter o econômico e o mercado, a ciência e as técnicas, as estratégias de desenvolvimento a uma filosofia de vida que vê os seres humanos como parte intrínseca do meio natural e em íntima interação com todos os seres vivos, em sua biodiversidade, seus territórios.
Estamos diante da necessidade de um novo paradigma ético, analítico e estratégico para iniciarmos aqui e agora a mudança. Precisamos de uma infraestrutura mental, de uma revolução cultural, que reponha tudo no lugar, o lugar da vida, da natureza, das ideias, de nossa enorme capacidade coletiva de criar, de inventar. Ponhamos isto tudo a serviço de um reencontro entre nós mesmos, seres humanos, com a diversidade do que somos e do que sabemos fazer e criar. Mas nosso reencontro, também, precisa ser com o meio ambiente do qual sugamos a vida e do qual somos parte integrante.
Mas o fundamental é estarmos convencidos de que outro mundo é possível. A dúvida só retarda a ação efetiva. Pior, permite que sejamos presas fáceis de um falso discurso sobre a necessidade de agredir o meio ambiente para desenvolver, para resolver nossos gritantes problemas sociais. Uma coisa é encarar nossas necessidades inadiáveis, outra é confundir isso com apoio aos grandes conglomerados econômicos e financeiros para que tratem do problema. Isso vai das grandes hidroelétricas ao agrocombustível, do desmatamento para criação de bois e dos grandes desertos verdes para celulose ao apoio às grandes empreiteiras porque criam empregos. Nenhuma ação política de mudança poderá acontecer se nós, cidadãs e cidadãos, não acreditarmos que ela pode, precisa e queremos que aconteça.









 Resumo: aprendendo a sintetizar

               A paráfrase é
uma forma de intertextualidade muito presente no dia-a-dia das pessoas. Quando alguém reconta algo que viu ou leu, mantendo o conteúdo do texto original, mas reescrevendo-o com as próprias palavras, diz-se que há uma relação intertextual do tipo paráfrase entre o texto original e o produzido a partir dele. Trata-se de uma maneira diferente de dizer algo que já foi dito.

 
Quando um amigo não assiste a uma aula e pede que você lhe conte o que foi discutido na interação com os outros colegas e o professor, você certamente não reproduz palavra por palavra as falas dessas pessoas. Mais preocupado com o conteúdo do que com a forma do texto original, você acaba sintetizando-o e produzindo um novo texto, agora de sua autoria, em que usa suas próprias palavras. A esse fenômeno chamamos de paráfrase.
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Por meio dessa paráfrase, você conseguiu reproduzir os pontos centrais do texto-fonte para seu interlocutor, atendendo às necessidades dele e utilizando sua própria forma de falar. Isso que você fez foi um resumo, gênero textual muito comumente adotado como forma de estudo pelos alunos.
Tal gênero também tem grande relevância nas atividades acadêmica e profissional, pois quase sempre textos um pouco mais longos dessas áreas são acompanhados de um resumo. Este permite uma rápida apreciação geral de seu conteúdo, o que ajuda a guiar a leitura e mantém o leitor atento para os pontos principais do texto. Algumas publicações, a exemplo das revistas acadêmicas, põem o resumo antes do corpo do texto; outras, no final. No caso de monografias de fim de curso, dissertações e teses, é comum que o resumo conste no início. O resumo dá visibilidade às ideias do texto a que se refere e favorece a avaliação das mesmas pelas pessoas interessadas em pesquisar sobre o tópico do trabalho que está resumido.
Também é interessante notar que o resumo compartilha algumas propriedades do fichamento, como o caráter intertextual e a síntese dos pontos principais do texto-fonte. No entanto, um resumo não pode ser composto por meras transcrições do texto original, sendo necessária a reelaboração do mesmo com suas próprias palavras. Nesse sentido, ele pode ser considerado um texto mais autônomo.
Além disso, se um fichamento é composto por uma sequência de transcrições entre as quais não há marcas de coesão explícitas, um resumo deve primar pela ligação clara entre as ideias, utilizando mecanismos como os estudados na aula 3. Até mesmo porque o caráter sintético do resumo torna-o um texto de grande densidade, em que muitas ideias importantes são apresentadas em poucas frases. Para que isso não se torne um obstáculo à leitura, é preciso atentar especialmente para a coesão, a coerência e a clareza nesse gênero.
As instituições que promovem congressos, conferências, simpósios e seminários exigem resumos densos, que são avaliados por pareceristas, para aceitar ou rejeitar as contribuições de seus membros.  Portanto, tomam o resumo como amostra da forma e do conteúdo dos textos que neles circulam. Entre os legados acadêmicos desses eventos, sobressaem os cadernos de resumos. Os órgãos de financiamento normalmente também exigem que os projetos de pesquisa sejam precedidos por um resumo, que é o primeiro item a ser avaliado pelos pareceristas e, para determinados tipos de projeto, é a peça básica a ser avaliada. Quanto às suas dimensões, podemos considerar que o resumo convencional varia entre um mínimo de 60, uma média de 100 e um máximo de 150 palavras, enquanto o resumo expandido pode conter até 500 palavras.
A estrutura do resumo de artigos científicos é altamente padronizada. Ele deve conter informações precisas sobre o contexto da área de investigação em que se deu a produção do trabalho, seus objetivos, o corpus utilizado, a metodologia de coleta e análise, a orientação teórica do estudo e os principais resultados, contribuições ou retornos. O tema do trabalho transparece no título e nas palavras-chave.
A orientação das instituições de pesquisa que organizam e disponibilizam os resumos, a exemplo de Oxford abstracts, é que as informações estejam organizadas na sequência referida há pouco. Logo, em primeiro lugar deve aparecer uma menção ao tópico de investigação, com destaque para uma lacuna que justifique o estudo. O objetivo geral da pesquisa estaria voltado para preencher tal lacuna. Se isso parecer ainda muito genérico, pode ser detalhado nos objetivos específicos. Para alcançar tais objetivos, explicita-se o corpus e o modo de coletar os dados, organizá-los e analisá-los, bem como o contexto teórico específico no qual o estudo se insere, com o mínimo de referência a autores, seguidos da data de suas obras. O resumo se conclui geralmente com os resultados (ainda que parciais) e com recomendações para novos estudos. As palavras-chave, entre três e cinco, localizam os principais tópicos do trabalho.


Agora, vamos ler e observar as partes do resumo seguinte, produzido por nós, referente a um projeto de pesquisa sobre a relação entre a linguagem e as ofensas verbais em textos da Idade Média e da contemporaneidade:
Texto III
A linguagem como instrumento do poder: agressões e ofensas verbais de gênero nas cantigas satíricas medievais e contemporâneas
Lei aprovada na semana passada pela Assembleia bane os aparelhos das salas de aula.  Além de conversar, estudantes usam os telefones para colar nas provas.
Resumo
A atitude de escárnio contra as pessoas que destoam do padrão está naturalizada na cultura luso-brasileira. Os movimentos em prol da igualdade e plenitude dos direitos humanos convivem com uma lacuna no conhecimento da origem e permanência dessa naturalização, a qual precisam compreender, para lidar com esse imaginário de escárnio, agressão e violência, que desqualificam e humilham os diferentes. Na cultura escolar, o ensino fundamental defronta-se com o clímax do gênero discursivo do escárnio. O objetivo deste estudo é identificar e analisar as manifestações de escárnio na tradição cultural luso-brasileira, com base nas cantigas galego-portuguesas do século XIII e nas canções de zombaria contemporâneas. Utiliza-se o paradigma indiciário de Ginzburg para detectar e interpretar as representações e o imaginário social que orientam a produção do gênero escárnio. A hipótese do estudo é que os autores se utilizam do escárnio para legitimar e autorizar a discriminação e a zombaria contra as pessoas que estão fora do padrão predominante em cada época, com foco em gênero, idade, padrão corporal, estética e enquadramento moral. O corpus inicial se compõe de 20 cantigas de escárnio e maldizer e 20 cantigas contemporâneas no mesmo gênero, podendo ser ampliado, se não obtivermos saturação. O método de análise dos textos prioriza o levantamento das construções e expressões mais frequentes, com atenção para os efeitos de sentido que resultam do uso dessas expressões. Procura-se verificar a proporção em que as expressões do passado se mantêm e se parafraseiam nas manifestações contemporâneas do gênero discursivo escolhido. A expectativa é que o estudo permita uma concepção alargada, de base empírica, sobre o espírito zombeteiro da cultura do escárnio, favorecendo a produção de materiais de ensino da língua e da cultura que privilegiem a reflexão e a discussão sobre pontos críticos do imaginário brasileiro, em que precisamos reinventar a tradição.
Palavras-chave: discriminação, cultura medieval, cultura contemporânea, zombaria, cantigas de escárnio e maldizer. 
Em primeiro lugar, chamamos a sua atenção para duas características do resumo como gênero textual específico: ele deve assumir a perspectiva do texto original e deve ser composto por frases sintaticamente desenvolvidas e bem ligadas umas às outras, pelo fenômeno da coesão. Lembre-se: um resumo não é um esquema, nem um fichamento!
Observe, em seguida, que produzimos um resumo relativamente longo, com 298 palavras, procurando caracterizar o projeto em seus pormenores. Contextualizamos o projeto de pesquisa, mostrando em que universo nossa preocupação foi gerada e está inserida, e por que e a quem o estudo em questão pode importar. Note também que é importante chamar a atenção para uma lacuna no conhecimento científico até então produzido que justifique a condução do trabalho que está sendo resumido. Veja:
A atitude de escárnio contra as pessoas que destoam do padrão está naturalizada na cultura luso-brasileira. Os movimentos em prol da igualdade e plenitude dos direitos humanos convivem com uma lacuna no conhecimento da origem e permanência dessa naturalização, que precisam compreender, para lidar com esse imaginário de escárnio, agressão e violência, que desqualificam e humilham os diferentes. Na cultura escolar, o ensino fundamental defronta-se com o clímax do gênero discursivo do escárnio.
Apresentamos, em seguida, nossos objetivos, isto é, o que esperamos que nossa pesquisa realize.
O objetivo deste estudo é identificar e analisar as manifestações de escárnio na tradição cultural luso-brasileira, com base nas cantigas galego-portuguesas do século XIII e nas canções de zombaria contemporâneas.  
Depois, localizamos o quadro teórico que nos orienta no estudo, citando explicitamente um nome de referência e o que incorporamos das suas contribuições.
Utiliza-se o paradigma indiciário de Ginzburg para detectar e interpretar as representações e o imaginário social que orientam a produção do gênero escárnio.
O projeto contém também uma hipótese clara, que busca responder, ainda que provisoriamente, à questão que nos mobilizou.
A hipótese do estudo é que os autores se utilizam do escárnio para legitimar e autorizar a discriminação e a zombaria contra as pessoas que estão fora do padrão predominante em cada época, com foco em gênero, idade, padrão corporal, estética e enquadramento moral.
Especificamos ainda com que dados começaremos o estudo e registramos a possibilidade de ampliarmos nosso corpus, se a análise mostrar que tal se faz necessário:
O corpus inicial se compõe de 20 cantigas de escárnio e maldizer e 20 cantigas contemporâneas no mesmo gênero, podendo ser ampliado, se não obtivermos saturação com essa mostra.
Mostramos, no ponto seguinte, a metodologia do trabalho, ou seja, como vamos proceder em nossa investigação e na análise dos dados.
O método de análise dos textos prioriza o levantamento das construções e expressões mais frequentes, com atenção para os efeitos de sentido que resultam do uso dessas expressões. Procura-se verificar a proporção em que as expressões do passado se mantêm e se parafraseiam nas manifestações contemporâneas do gênero discursivo escolhido.
Por fim, explicitamos os resultados esperados, englobando tanto frutos acadêmicos quanto eventuais contribuições à sociedade de um modo geral.
A expectativa é que o estudo permita uma concepção alargada, de base empírica, sobre o espírito zombeteiro da cultura do escárnio, favorecendo a produção de materiais de ensino da língua e da cultura que privilegiem a reflexão e a discussão sobre pontos críticos do imaginário brasileiro, em que precisamos reinventar a tradição.
As palavras-chave, conforme podemos verificar, ratificam o conteúdo do projeto, retomando as ideias que se apresentam no resumo. Além disso, fornecem pistas precisas para quem usa ferramentas de busca em catálogos ou bibliotecas, a fim de localizar o texto em questão.
Palavras-chave: discriminação, cultura medieval, cultura contemporânea, zombaria, cantigas de escárnio e maldizer. 

Atividade
A partir do que você acabou de estudar, elabore um resumo do ensaio “Erros e mentiras”, de Stephen Jay Gould, apresentado no início desta aula. Veja o fichamento que fizemos das ideias principais do texto, releia o texto-fonte todo e o parafraseie, redigindo breve resumo (de no máximo 50 palavras) sobre o conteúdo do artigo com suas próprias palavras.


Resumo


O progresso intelectual é uma rede complexa de fintas, maus começos e experiências de tentativa e erro. Os erros mais freqüentes são os factuais (premissas teóricas que se revelaram falsas ou exageradas), de julgamento (cálculo político) e da convenção impensada (afirmações confiantes, que vão transformando-se em certeza).









Resenha: aprendendo a se posicionar
Passemos agora às características básicas da resenha, com ênfase para a modalidade conhecida como resenha crítica. O objetivo desse tipo de texto é orientar o leitor em relação à relevância da obra resenhada e oferecer uma primeira análise crítica do seu conteúdo e da forma de apresentá-lo. Portanto, dessa resenha pode resultar a sugestão de que o leitor leia a obra. Quando estamos buscando livros para uma determinada pesquisa, é muito comum, por exemplo, dar uma olhada prévia em opiniões de resenhistas sobre essas obras, a fim de termos indicações de quais textos servem melhor aos nossos propósitos. Porém, nesse sentido é importante buscar resenhistas sobre os quais você tenha alguma referência: esse é um trabalho que exige muita responsabilidade e competência, já que envolve o risco de condenar ao esquecimento uma boa obra ou, ao contrário, fazer alguém acreditar que seja imprescindível uma leitura dispensável.
Como vários outros gêneros acadêmicos, a resenha propriamente dita é precedida por uma parte textual e seguida de uma parte pós-textual. Na parte pré-textual, constam o título da resenha (em geral, distinta do título da obra resenhada) e a autoria da resenha. Em seguida, os dados da obra resenhada: título, local de publicação, editora, ano, edição, número de páginas e volumes, se houver.
Normalmente, na parte textual o resenhista:
·         Apresenta as credenciais do resenhado, sua instituição, formação acadêmica e produção;
·         Destaca as conclusões a que o autor da obra chegou, ou que o resenhista identificou;
·         Descreve de forma sucinta os capítulos ou partes em que se divide a obra;
·         Expõe os métodos de coleta e análise dos dados, os instrumentos de coleta e organização do corpus, o modo de apresentação dos resultados e as conclusões;
·         Indica a referência teórica do trabalho, com a corrente de pensamento a que se filia e os autores privilegiados;
·         Avalia a obra a partir do ponto de vista da coerência entre a tese central e a sua sustentação, bem como a partir do emprego de métodos e técnicas específicas;
·         Por fim, o resenhista avalia o mérito da obra, sua originalidade e contribuição para o desenvolvimento da ciência, quer por apresentar novas ideias e novos resultados, quer por utilizar abordagem inovadora e relevante.
Na parte pós-textual, constam as referências da bibliografia consultada pelo resenhista.
Esse roteiro, no entanto, não deve servir como uma camisa-de-força, mas sim como um auxílio a você na hora de escrever. Caso julgue apropriado, acrescente ou retire alguns pontos dessa lista, apresentando-os na ordem que julgar mais conveniente.
Para vermos como isso funciona na prática, vamos ler uma resenha elaborada por Newton C. A. da Costa, a respeito de um livro sobre a aplicação de teorias matemáticas na área da Biologia. Repare que, desta vez, o texto que estamos usando como modelo de resenha estará entremeado por vários comentários nossos, que deverão mostrar a você os critérios que devem ser levados em conta na elaboração e na avaliação de uma resenha. Atenção: primeiro estão destacados os trechos da resenha; logo depois de cada um deles, nossos respectivos comentários.
Uma obra didática original
Newton C. A. da Costa

O livro Teoria Intuitiva dos Conjuntos é o resultado da colaboração de um professor de Matemática e de um biólogo, integrantes do Grupo de Lógica e Teoria da Ciência do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.
Veja nessa primeira parte que, logo de início, o resenhista apresenta a obra de que seu texto fala, bem como os autores do livro resenhado. Além de citar seus nomes, porém, é importante dar indicações das credenciais do autor, como, por exemplo, titulação acadêmica, outras obras famosas de sua autoria e instituição a que se filiam.
Vale também frisar que toda resenha tem um título, que não se confunde com o título da obra resenhada: trata-se de textos diferentes, de autores diferentes; logo, seus títulos não podem ser iguais.
Destina-se a pesquisadores, professores e alunos (de graduação e pós-graduação) das áreas de ciências exatas e biológicas (para estas últimas tendo sido especialmente escrito), e pode ser utilizado com proveito na área das ciências humanas.
É interessante também, logo no início do texto, sinalizar qual é o público-alvo a que o texto-fonte se destina. Assim, antes mesmo de percorrer toda a resenha, o leitor já é capaz de avaliar se a obra ali analisada é do seu interesse e atende as suas expectativas. Observe que o resenhista foi bastante preciso neste caso, indicando as áreas do conhecimento a que o livro se refere majoritária e minoritariamente, bem como as diferentes ocupações que os interessados no livro podem ter.
A abordagem utilizada é a teoria ingênua dos conjuntos (intuitiva, como consta do título). É uma obra didática original, em que certos tópicos de Biologia comparada são tratados pela primeira vez na literatura de maneira sistemática, conjuntista.
A linguagem da Teoria dos conjuntos é, em certo sentido, uma linguagem universal. Todo pensamento racional, em particular o científico, é fundamentalmente conceitual. Procura-se compreender e dominar a realidade através de redes conceituais. Ora, todo conceito possui uma compreensão (ou intensão) e uma extensão: a primeira se constituindo pela totalidade das notas que compõem um conceito e a segunda pelo conjunto (ou classe) formado pelos objetos aos quais o conceito se aplica; assim, por exemplo, o conceito homem possui uma intensão (ou compreensão) composta por notas como ser, material, animado e racional; sua extensão se identifica com o conjunto dos homens. A Lógica e a Matemática podem ser definidas como ciências que se ocupam da estrutura formal dos sistemas conceituais.  Logo, têm a ver com as extensões dos conceitos e, sob certos aspectos, toda a Matemática tradicional se reduz à Teoria dos conjuntos. Assim sendo, não pode haver pensamento racional sem redes conceituais e, portanto, sem Lógica e Matemática; ou seja, sem Teoria dos conjuntos. Deste modo, verifica-se a universalidade da linguagem conjuntista e das teorias correspondentes.
Esse trecho, um pouco mais longo dos que os anteriores, tem uma função central na resenha, pois apresenta um resumo da obra analisada. É importante que esse resumo seja bem construído, pois é ele que permite ao leitor ter uma ideia da abordagem do tema dada pelos autores, mesmo sem ter lido todo o livro; só assim ele pode saber se o livro discute ou não questões do seu interesse.
Não se esqueça de que tal resumo deve seguir as orientações vistas anteriormente nesta aula: sintetizar as ideias centrais do texto-fonte, parafraseá-las e concatená-las com elementos coesivos explícitos.
Por tudo isto, parece razoável admitir-se que a Teoria dos conjuntos deve estar na base de todas as ciências, pelo menos em princípio. Surpreendentemente, as diversas ciências naturais e humanas normalmente se desenvolvem sem se dar conta de seu caráter conjuntista. O grande mérito da obra de Abe & Papavero é o de resgatar a relevância das ideias fundamentais da Teoria dos conjuntos para a Biologia comparada e, em geral, para a Biologia, o que significa que outras áreas da ciência também tirariam proveito de uma abordagem conjuntista.
Na obra em apreço, a demonstração da relevância dos conjuntos para a Biologia não é apenas discutida, mas demonstrada através de exemplos e aplicações (especialmente no Apêndice 2: Operações com conjuntos e Taxonomia biológica, e no Apêndice 4: Relações de ordem e Sistemática filogenética).
Entre tantos livros no mercado, por que ler especificamente este que está sendo resenhado? Essa deve ser uma preocupação constante do resenhista: dizer por que a obra por ele analisada é (ou não) singular, o que acaba por encorajar o leitor a tomar uma decisão acerca da validade do livro para seus interesses. Veja que, nesse trecho da resenha que você acabou de ler, destacam-se diferenciais do livro diante do que há no mercado.
O presente volume possui quinze capítulos, assim distribuídos:
  1. A Teoria dos conjuntos (onde é dado um breve histórico da criação da teoria por Georg Cantor, e mostrada sua importância para as ciências matemáticas e as ciências empíricas).
  2. Noções fundamentais.
  3. Subconjuntos.
  4. Operações com conjuntos (I): Complementação.
  5. Operações com conjuntos (II): Interseção.
  6. Operações com conjuntos (III): União.
  7. Operações com conjuntos (IV): Diferença.
  8. Produto cartesiano.
  9. Grafos.
  10. Relações.
  11. Relações sobre um conjunto.
  12. Relações de equivalência.
  13. Relações de ordem.
  14. Elementos notáveis de um sistema ordenado.
  15. Reticulados.
Esses capítulos são entremeados por apêndices (4 no total) que tratam geralmente de aplicações da Teoria de conjuntos no campo da Biologia comparada, como já comentado acima.
Uma boa resenha deve também apresentar a distribuição geral dos capítulos da obra, o que permite uma visão panorâmica dos assuntos abordados e sua organização. Quando você tiver de escrever sua própria resenha, lembre-se de que tal informação pode ser facilmente recuperada no sumário do livro.
Um segundo volume está em fase final de redação, completando assim a obra.
Convém lembrar aqui que existiram precursores da aplicação sistemática da Teoria dos conjuntos à Biologia — notadamente J. R. Gregg (com seu The language of taxonomy: an application of symbolic logic to the study of classificatory systems,1954) e J. H. Woodger (com seu The axiomatic method in biology, 1937, e Biology and language: an introduction to the methodology of the biological sciences including medicine, 1952; só para citar suas duas obras principais). Porém, trabalhos como os de Woodger não eram funcionais, no sentido de não constituírem instrumento de trabalho quotidiano para o biólogo, a não ser em questões mais profundas, referentes à axiomatizacão e metodologia da Biologia. O presente livro, ao contrário, fornece-nos uma formulação funcional, que pode ser usada no dia-a-dia do biólogo (e de outros cientistas empíricos) e, inclusive, facilita o ensino dessa ciência.
Além de informar sobre uma futura continuação da obra – já em execução –, esse trecho tem função importante na resenha, visto que situa a obra analisada no panorama das outras já existentes acerca do mesmo tema. Além de isso sinalizar possíveis influências que o livro resenhado recebeu de seus precursores, tal passagem reforça o diferencial da obra que recomenda em relação às demais.
Os autores estão de parabéns por terem sido pioneiros em uma revolução coperniciana na Biologia!
Por fim, uma resenha deve ser arrematada com uma apreciação geral da obra, bem como uma recomendação (ou não) de leitura. No caso que estamos analisando, a conclusão poderia ter sido mais desenvolvida, mas sua brevidade não compromete o valor do texto nem a realização de seu objetivo: avaliar a obra Teoria Intuitiva dos Conjuntos, recomendando sua leitura.
Como você pôde ver, a resenha é um texto ainda mais autônomo do que o resumo, uma vez que, além da paráfrase das ideias centrais do texto-fonte, o resenhista deve incluir e justificar suas opiniões acerca da obra, recomendando ou não sua leitura. Isso exige boa capacidade de leitura e síntese, bem como o desenvolvimento da argumentação, como você viu na aula 5.

A partir do que você acabou de estudar, elabore uma resenha do ensaio “Erros e mentiras”, de Stephen Jay Gould, apresentado no início desta aula. Repare que, em geral, uma resenha se refere a uma obra mais longa, como um livro. No entanto, por questões de ordem prática, pedimos aqui que você pratique a redação desse gênero a partir de um texto base menor, como o ensaio de Gould.
Para realizar a tarefa que propomos, leve em consideração o resumo que você elaborou na atividade 2 desta aula. Ademais, lembre-se de que, além da síntese das ideias do ensaio, sua resenha deve conter uma apresentação do autor e do contexto de publicação da obra, uma avaliação bem fundamentada da mesma e uma indicação do público a quem ela se destina.
A inerência do erro na ciência
Elaine de A. de Lourenzo

O texto “Erros e mentiras” é um fragmento do ensaio do biólogo Stephen Jay Gould, publicado na Revista de Educação Pública do CECIERJ.
A ideia defendida no texto é que nenhuma das grandes obras da ciência jamais foi isenta de erro, pois o progresso intelectual é uma rede complexa de fintas, maus começos e experiências de tentativa e erro.
Para sustentar sua tese, o autor explora brilhantemente os erros cometidos por Darwin, em “A origem das espécies”, dividindo-os em três categorias: erros factuais (previsões feitas a partir de premissas teóricas que se revelam falsas ou exageradas), erros de julgamento (erros de cálculo político) e erros da convenção impensada (afirmações confiantes, que vão transformando-se em certeza). Todos muito bem exemplificados no texto original.
Por estar abordado de maneira ampla e com argumentos tão bem fundamentados, o texto torna-se interessante não só para os estudiosos da Biologia, mas também para todas as pessoas voltadas para qualquer área científica.